Durante a minha época de ensino secundário, sempre tive a ideia que se por alguma eventualidade da vida não conseguisse um emprego na área dos meus estudos, iria tentar qualquer emprego digno que me pudesse sustentar.
Olhava para operadores de caixa, empregados de balcão, empregados de mesa e achava que devia "ser canja trabalhar em algo assim, nem puxava muito do intelecto e que qualquer pessoa o conseguiria fazer" (lies... all lies).
Claro que desvalorizamos a dificuldade das coisas, quando não sabemos como realmente são e as piadas sobre o atendimento directo ao público não são apenas piadas, são obstáculos que testam a nossa paciência todos os dias.
Por tudo o que aprendi na restauração e por todo o respeito que ganhei pelos trabalhadores de atendimento ao público, acho que antes de frequentar-mos qualquer tipo de estabelecimento, deveríamos estar na pele de quem nos atende, nem que fosse um dia, só para entender a dureza que é trabalhar nestas áreas e assim, tenho quase a certeza que não seria um trabalho tão ingrato como é.
Se não fosse um trabalho ingrato, será que estaria mais feliz? Se fosse bem remunerada, seria o meu emprego de sonho?
Eu chego a casa todos os dias exausta, com dores no corpo e na alma, passo mais horas fechada no meu trabalho do que tempo a dormir e a desfrutar da companhia dos meus familiares e amigos em simultâneo. Com isto tudo, ontem fez um ano que me meti nesta vida e por continuar a não conseguir experiência na minha área de estudos, ando num ciclo vicioso, do qual não consigo sair.
Pelo menos tenho a minha saúde e alguns trocos (só que não).




